20 de dez de 2010

O Evangelho das Rosas

Vou publicar aqui, um texto muito interessante. 
Engraçado, com um toque de certa ironia, porém, muito real. 
Excelente texto. 

No amor de Cristo,
Trabalhando pelo Reino,a serviço do Rei Jesus.
Miquéias Castreze

O Evangelho das Rosas

Pr. Airton Evangelista da Costa
ESTAVA ENGANADO o poeta quando disse que “as rosas simplesmente exalam o perfume que roubam de ti”. Ontem, através de um programa da televisão, um entusiasmado pastor quase me convence de que as rosas possuem poderes miraculosos. Sem emitir uma só palavra ou exalar qualquer perfume, elas seriam capazes de afastar todos os males.
   Ótima ideia. Comprarei muitas rosas numa floricultura, as espalharei por toda a casa e estarão resolvidos meus problemas materiais e espirituais. Engano. Só servem as rosas adquiridas no santuário daquela igreja, tocadas pelas mãos ungidas do sacerdote. Ótimo. Convidarei o pastor para ungir as inúmeras rosas do meu jardim e serei beneficiado por muitos anos. Errado. Só funcionam as rosas de plástico fabricadas sob a orientação dos ungidos de Deus. De plástico? O entusiasta pastor estava muito longe para ouvir minha pergunta.
   Ele estava impecavelmente vestido e não vi no seu semblante qualquer sinal de debilidade mental. Falava com a segurança e convicção de quem encontrou o grande segredo do evangelho. “Esta rosa – dizia – “afastará de sua casa a inveja, as maldições, as doenças, a pobreza”. As ovelhas, em pé, atentas ao falar do homem de Deus, seguravam com carinho suas rosas.
  Depois, em continuidade ao programa televisivo, alguns testemunhos: “Depois que levei a rosa para minha casa, tudo ficou melhor; estava há dois dias com dor de cabeça, e fiquei curada; Sou muita grata à rosa”.
   Fiquei a meditar com meus botões. De fato, é mais fácil acreditar numa rosa tangível, que se vê. Deus é invisível e exige fé, obediência, submissão, humildade, entrega, conversão. A rosa nada pede. Posso toca-la e carrega-la como e quando bem desejar. Por que não concentrar a minha fé em algo palpável? Continuei a meditar. Se o princípio é este, tanto faz uma rosa, como uma vassoura, um lençol, um sabonete, um machado, uma pedra, qualquer coisa, até um sapo. Logo, as imagens dos santos católicos seriam muito mais autênticas.
   Aconselho o convicto pastor a escrever “O Evangelho das Rosas”. No roseiral desse evangelho não há espinhos. Nem cruz. É um jardim perfumado pela fragrância das rosas.
   Nas novas Boas Novas, Mateus 16.24 seria escrito assim: “Se alguém quiser vir após mim, renuncie-se a si mesmo, tome nas mãos a sua rosa, e siga-me”. Marcos 16.16-18, seria reeditado: “Quem receber a rosa ungida será salvo; quem não tiver, será condenado. Com a rosa ungida, expulsarão demônios. Porão a rosa sobre os enfermos e estes serão curados”. Lucas 4.18-19 ficaria reduzido a: “Eu vim para distribuir as rosas da prosperidade e da libertação dos cativos”.
Fonte: www.palavradaverdade.com

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